Com o florescimento dos cabarés na década de 1920, a temática passou a ser o próprio ambiente cabaretero, local de luxo, com clientes de alto nível. O baile, ali, era público, com serviço de bar e orquestra, freqüentado por homens ricos com suas amantes e prostitutas de luxo, bebia-se champanha e se ouviam tangos...
Neste período o piano passou a integrar as orquestras tangueiras, conferindo ao gênero maior status e respeitabilidade, o tango adquiriu maior riqueza melódica e sonora e a temática enveredou por caminhos sentimentais e inofensivos, incluindo, ainda, imagens bucólicas de cenas nos pampas, de modo a agradar à oligarquia rural, freqüentadora regular do cabaré.
Dentre os típicos personagens do arrabal, destaca-se a oposição entre o guapo ou compadre no papel de mocinhos/heróis, bem como o compadrito, o compadrón e o malevo como mal-feitores ou bandidos.
cuchillero
A partir da segunda metade do século XIX, surgiu o guapo ou compadre, como presença forte e influente do subúrbio. Temido e invejado, estava preso a um código moral que lhe exigia valentia e "macheza". Não podia fugir a uma luta, sob pena de desonra. Também deveria lutar até a morte, caso alguém cobiçasse sua mulher. A polícia preferia evitar confrontos com ele. Caso sobrevivesse a muitos embates, chegada a velhice, tornava-se um patriarca e recebia o tratamento de Don. Então, passava o comando para um sucessor que, de acordo com as normas, deveria respeitá-lo.
O compadrito, por sua vez, era desprezado, apesar de ser temido, principalmente pelas mulheres, que subjugava à força. Procurava imitar o compadre, mas faltavam-lhe a conduta, a força de liderança e a honra que pontuavam a conduta daquele. Era fanfarrão, inventava façanhas, provocava brigas, puxava o punhal por qualquer motivo, mas fugia ao primeiro sinal de resistência. Vivia cercado de aduladores, ainda mais desprezíveis.
compadrito
Imitador do compadrito, o compadrón era um covarde travestido de valente. Contador de bravatas e traidor, ganhava a vida como guarda-costas dos compadres, delator de polícia, porteiro de bordel ou gerente de casas de jogo clandestino.
Como último na escala do desprezo social, estava o malevo, trapaceiro e desleal, delinqüente ou assassino de aluguel. Forte com os fracos e as mulheres, era o terror do cortiço e o primeiro a fugir com a chegada da polícia.
É neste decór que Jorge Luis Borges ambienta seu conto "El hombre de la esquina rosada", em cujo fundo, quase podemos ouvir um tanguito ...