E lá fomos nós a Dois Irmãos nos finais de semana, entre aulas e eventos, interrompendo seus planos com as amigas e preparações para as festas logo mais à noite, impondo exercícios e "temas de casa" delegados aos pais Gildo e Ceonara que, solícitos e cheios de expectativa, vinham, com o chimarrão na mão, perguntar: " E aí, como vai a bailarina?". Assim, aos poucos passamos a perceber o processo de que fazíamos parte e e nos sentimos, de certa forma, parte da família.
À medida que o ano passava, mais intensos se tornavam os ensaios, foram figuras que iam se tornando blocos da coreografia, escolha da música, making off (registro bem- humorado de Luciano Mendes), vestido, sapatos, ensaios com o pai, nervos, lágrimas e risos. Dreci dedicou-se com empenho. Nos últimos ensaios, tinha bolhas nos pés e sangraram os calcanhares. A menina de riso fácil, durante os ensaios, deu lugar a outra, mas séria e concentrada., mas não menos graciosa.
Preocupada, vi seu rosto fica lívido ao segurar a dor para poder continuar e, orgulhosos, ouvimos no último ensaio: "Estou tranquila, não fico mais nervosa". Sorrimos mutuamente, Alexandre e eu, ela estava pronta.
Na noite da estréia, claro, houve nervosismo, queda de glicose e dor de barriga, mas lá foi ela, arrasou, mereceu cada aplaudo e, no final, me perguntou, buscando a aprovação da "profe": "Deu tudo certo, né?!" Claro que deu Dreci, mais do que certo! Estamos orgulhosos por teu desempenho, crescimento e superação. O resultado foi captado com sensibilidade e competência pela câmera de Beth Esquinatti e equipe. Nossos finais de semana, no entanto, estão mais vazios sem nossas idas a Dois Irmãos para o ensaio. Que tal começarmos a preparar a coreografia dos 18 anos?



















