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Gostaria de iniciar este blog tecendo algumas reflexões acerca de nosso trabalho e seu nome. Simplemente Tango, para nós, é emblemático, traduz nossa condição detangueros, não por nascimento, mas por opção. Me explico: fazemos parte daqueles que, embora não sejam portenhos, nem mesmo argentinos, consideram-se dignos de um quinhão no universo tangueiro... Mas baseados em qual critério, já que jus sanguinis ou o jus territorialis nos tornaria ilegítimos de tal herança? Ora, baseados no sentimento, o sentimento tanguero. Postulamos, para tanto, a existência de um novo critério (ou não tão novo assim), o jus sentimentalis, pressuposto da universalidade do tango. Mais uma vez me explico: Considerando a capacidade, desde suas origens, de fascinar, nos mais distintos pontos do planeta, em diferentes épocas e mobilizando pessoas de distintas classes sociais, torna-se óbvio o caráter universal de uma manifestação tão particular como tango. Exemplo disso são a verdadeira febre que o tango suscitou na França e Europa, no início do século XX e que permitiu a aceitação do mesmo na própria sociedade que o engendrou; bem como o fenômeno atual, em que, mais do que um produto a ser consumido, o tango surge como uma manifestação cultural a ser vivida, tanto na cidade de Buenos Aires como fora e até mesmo distante dela. É que o tango, com suas peculiaridades, seus mitos, suas persognagens, seu savor affaire tão tipicamente portenhos, toca a alma humana e varre fronteiras. Em sua particularidade, ele se torna universal. Ele fala da dor, do desejo, da derrota, do prazer e da desilusão, da busca por se tornar inteiro de qualquer um. Ele facilmente invade nosso imaginário com promessas de aventura, arrebantamento, vida e simplesmente passa a correr em nossas veias. Ele nos aproxima, lembrando-nos de que, se uma música, uma dança, um fenômeno cultural de outrém nos toca, é porque todos temos aspectos em comum, aqueles que nos tornam humanos. Assim, arrisco a sugerir que isso faz do sentimiento tanguero, em última instância, mais do que um fenômeno cultural ou patrimônio cultural de um povo, parte do patrimônio imaginário humano. E porque sentimos na pele e na carne o apelo do tango, porque ele nos faz sentir vivos, quisemos fazer dele nosso trabalho e expressão de nossas vidas. Nem mais, nem menos, Simplemente Tango.
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